Reunião buscou orientar os supermercadistas de como proceder caso um funcionário apresente sintomas da doença

 

Desde que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) foi confirmada no país, no dia 26 de fevereiro, a população foi forçada a mudar a rotina. Com o comércio não foi diferente. O modo de trabalho precisou ser adaptado e os cuidados com higiene, redobrados. Mas ainda há muita dúvida de como proceder em diversas ocasiões dentro do ambiente de trabalho. As informações chegam a todo o momento, na mesma velocidade em que mudam as orientações e, por isso, existem muitas dúvidas de como agir diante da suspeita de contaminação pela doença.

Para esclarecer algumas dessas dúvidas, a ASSURN promoveu, na tarde desta quarta-feira (29), uma reunião com representantes do Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte. Além dos associados, participaram da videoconferência a coordenadora do CEREST, Kelly Lima, a médica do trabalho, Dra. Ariluce Fernandes e a engenheira do trabalho, Dra. Mariana Costa.

De imediato, a coordenadora do CEREST, Kelly Lima, explicou que os testes para identificação do contágio por coronavírus seguem algumas regras. “O nosso estado tem um protocolo hoje para testagem apenas para aquelas pessoas com sintomas severos, a não ser que ela seja um profissional da saúde ou da segurança pública, que é o protocolo do Ministério da Saúde. Então, se o colaborador apresentar apenas sintomas leves, ele não vai ter acesso a esse exame, pelo menos na rede pública.”

Em seguida, a coordenadora explicou sobre como proceder na situação em que um funcionário apresente algum sintoma da doença. “Quando um colaborador apresenta qualquer sinal ou sintoma (…) ele precisa desse afastamento que a gente chama de quarentena. Então, a pessoa que apresentou o sintoma ou que já foi notificado ou confirmado por covid, ele entra em quarentena. Ou seja, ele vai precisar ficar em um isolamento, recluso na sua residência, para que se possa perceber o agravo desses sintomas ou o desaparecimento natural dos sintomas, visto que é um vírus, então, uma virose, e normalmente esses sintomas vão vir a desaparecer, e aí é o que a gente coloca como a cura”, esclareceu.

Kelly ainda acrescentou que o afastamento possa ser feito com embasamento de um médico. “Para esse afastamento, como vocês tem serviço de saúde nos supermercados, o ideal seria que ele passasse por um médico (…) o médico afastaria ele, já que ele estaria com esses sintomas, e ele só voltaria pra sua atividade após uma reavaliação desse médico.”

A médica do trabalho, Ariluce Fernandes, falou sobre os cuidados no acompanhamento da evolução da doença por parte do colaborador. “Iniciaram os sintomas, tem que se afastar por pelo menos, em média, 14 dias. Casos leves, sem precisar ir para hospital, em casa mesmo ele vai melhorar. Caso ele perceba que está piorando daqueles sintomas: tosse seca, cansaço, não está mais sentido cheiro da comida, o paladar, isso é bem característico dessa patologia, aí sim ele deve procurar o serviço médico e lá vão decidir se ele vai fazer ou não o teste.”

Se o funcionário confirmar que está com o novo coronavírus, alguns procedimentos precisam ser seguidos. “Caso ele venha a testar positivo, as pessoas de contato mais próximas também têm que ficar em observação. Isso vale tanto para os familiares, como para aqueles que tiveram contato muito próximo dele. Os que tiveram contato e estiverem assintomáticos, não tem problema”, informou a médica do trabalho.

As profissionais da saúde também foram questionadas sobre como agir se o colaborador alegar que teve contato com alguém que apresentou sintomas da covid-19. “Ele vai precisar de uma vigilância maior, uma aferição de temperatura diferenciada, uma vigilância mesmo em cima desse colaborador, para ver se ele desenvolve os sintomas”, respondeu a coordenadora do CEREST.

Na oportunidade, foram reforçados os cuidados dos supermercados com a higiene dentro do ambiente de trabalho e com os materiais de uso coletivo e individual. A médica do trabalho também alertou para o uso contínuo de máscaras por parte dos funcionários, já que o setor tem grande circulação de pessoas.

Finalizando a reunião, os representantes da ASSURN informaram que estão pleiteando junto às secretarias de saúde do estado e dos municípios a vacinação da gripe para os colaboradores de supermercados, já que o setor é considerado essencial e não pode parar de funcionar. A coordenadora do Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador se disse a disposição para tentar ajudar a associação no que for possível.